Análise Geral

As maiores empresas de distribuição de materiais de construção que no ranking referente a 2024 se posicionaram nos 500 primeiros lugares, venderam no seu conjunto um valor ligeiramente superior a 4,577 milhões de euros nesse ano, que corresponde a um aumento de 1,62% face a 2023 que foi de 4,504 milhões de euros, sendo que este último valor representou uma diminuição de 4,90% face a 2022 (gráfico 1).

Verifica-se que o setor recuperou da baixa de preços verificada em 2023.

Este ligeiro aumento do volume de negócios, vem de encontro ao apontado pelos modelos de previsão dos volumes de negócios, que periodicamente apresentamos.

Assim, no seu conjunto estas 500 empresas no ano 2024, os seus volumes de negócios representaram quase 1,6% do PIB português (preços constantes).

Gráfico 1 – Volume de negócios global das 500 maiores empresas de distribuição de materiais de construção (milhões de euros)

Em média cada uma destas empresas apresentou em 2024 um volume de negócios de 9,154 milhões de euros, sendo que em 2023 esse valor foi de 9,008 milhões de euros, ao passo que em 2022 essa média foi de 9,472 milhões de euros.

Apesar do decréscimo no valor da média no ano de 2023, podemos referir que nos três anos considerados as 500 maiores empresas de distribuição de materiais de construção, apresentaram uma evolução positiva e significativa a nível de volume de negócios, a preços de 2017.

Em virtude do bom momento que o setor continua a atravessar, as 500 maiores empresas de distribuição de materiais de construção nos três anos considerados apresentaram tanto na média dos resultados operacionais, dos resultados líquidos e por consequência dos capitais próprios valores claramente positivos, apesar de em 2023 as médias dos resultados líquidos e operacionais terem decrescido em relação a 2022 (gráfico 2).

 

Gráfico 2 – Grandezas contabilísticas das 500 maiores empresas de distribuição de materiais de construção

Em 2024 os resultados operacionais médios evidenciaram um ligeiro aumento em relação a 2023 (578 448€ em 2023, contra 594 589€ em 2024).

No que diz respeito aos resultados líquidos médios ocorreu em 2024 uma ligeira redução (425 351€ em 2024 e 433 180€ em 2023).

No que concerne aos capitais próprios médios, estes apresentam um crescimento consistente, cifrando-se no ano de 2024 num valor claramente superior a quatro milhões e trezentos mil euros.

Indicadores de estrutura ou endividamento

Como podemos verificar pelo gráfico 3, as empresas de distribuição de materiais de construção têm reforçado a média da sua autonomia financeira e por consequência o seu grau de endividamento médio tem sido reduzido consideravelmente.

Gráfico 3 – Autonomia financeira e endividamento das 500 maiores empresas de distribuição de materiais de construção

No ano de 2024, a autonomia financeira média situa-se na casa dos 63,58%, o que significa que as 500 maiores empresas de distribuição de materiais de construção apresentam no seu conjunto uma excelente autonomia financeira média, já que mais de 63% dos ativos são financiados por capitais próprios.

Em face da autonomia financeira ter aumentado entre 2022 e 2024, o endividamento médio destas empresas diminuiu, situando-se nos 36%.

O risco de insolvência médio destas empresas é relativamente reduzido.

Gráfico 4 – Solvabilidade e estrutura do endividamento das 500 maiores empresas de distribuição de materiais de construção

Como podemos verificar no gráfico 4, no tocante à solvabilidade, entre 2022 e 2024 em termos médios o seu valor tem sido reforçado, atingindo o ano de 2024 um valor de 174,60%, o que representa um aumento de 16 pontos percentuais em relação a 2022.

Assim, em 2022, por cada 100 euros de passivos, estas empresas na sua média dispunham de 158 euros de capitais próprios, sendo que em 2024 esse valor aumentou para mais de 174 euros de capitais próprios, o que representa uma excelente solvabilidade para as empresas consideradas.

No que concerne à estrutura do endividamento em todos os três anos considerados o valor tem vindo a aumentar, terminando o ano de 2024 na média dos 78,43%, o que significa que cerca dos 78% dos passivos médios destas empresas eram de curto prazo, o que se afigura como um resultado dentro dos níveis considerados como normais.

Gráfico 5 – Capacidade de endividamento a curto, médio e longo prazos e rácio Debt-to-Equity

A capacidade média de endividamento a curto prazo das 500 maiores empresas do setor de distribuição de materiais de construção e como podemos verificar no gráfico 5, entre 2022 e 2024 situou-se entre 0,28 e 0,30, o que significa que esta capacidade se mantém ao longo dos anos relativamente estável, sendo que em caso de necessidade em termos médios, estas empresas mantêm a sua capacidade de endividamento de curto prazo.

Por seu lado, na capacidade média de endividamento a médio e longo prazo, o seu valor tem aumentado ligeiramente ao longo do período em análise, tendo terminado o ano de 2024 em 0,89 o que significa que a dependência média face a terceiros, no médio e longo prazo é tem subido ligeiramente.

Apesar deste aumento, podemos também considerar que estas empresas apresentam em termos médios uma boa capacidade de financiamento a médio e longo prazo.

Por fim, em relação ao rácio médio Debt-to-Equity, entre 2022 e 2024 o seu valor tem sido progressivamente reduzido, terminado 2024 em torno de 0,57.

Os capitais próprios destas empresas estão mais fortalecidos em relação aos passivos totais, assim como a solidez financeira média destas 500 empresas (gráfico 5).

Indicadores de funcionamento e de liquidez

O indicador de liquidez “Liquidez geral” situa-se sempre superior a dois entre 2022 e 2024. Assim, para o caso do ano de 2024, os ativos correntes médios destas 500 maiores empresas suplantam em mais do dobro (2,6 vezes) os passivos correntes médios, evidenciando que estas empresas não deverão enfrentar problemas de tesouraria no curto prazo.

Por cada 100 euros de passivos de curto prazo, estas empresas em termos médios dispõem de 260 euros de ativos de curto prazo, no ano de 2024.

Gráfico 6 – Rotação do ativo e liquidez geral das 500 maiores empresas de distribuição de materiais de construção

 Já em relação à rotação dos ativos, podemos referir que os mesmos estão com uma eficiência elevada, apesar de se terem reduzido em 2024 em face dos ativos médios terem aumentado mais que o volume de negócios.

Em 2024, por cada euro de ativos, estas 500 empresas em termos médios vendiam 1,20 euros, ao passo que em 2022 esse valor era de 1,26 euros.

Gráfico 7 – Prazo médio de recebimentos e de pagamentos das 500 maiores empresas de distribuição de materiais de construção

Verificamos através do gráfico 7 que, em média as 500 maiores empresas de distribuição de materiais de construção pagam aos seus fornecedores antes de receberem dos clientes, com uma diferença em 2024 de 22 dias.

Verificamos também que tanto o prazo médio de recebimentos como o prazo médio de pagamentos têm aumentado de uma forma ligeira ao longo dos três anos considerados.

Indicadores de rendibilidade

O gráfico 8, evidencia seis dos nove indicadores de rendibilidade considerados no nosso relatório. Como os resultados operacionais e os resultados líquidos médios de 2024 em relação a 2023, apresentaram apenas pequenas variações, estes indicadores também tiveram pequenas variações.

Assim podemos referir que em termos de rendibilidades estas empresas continuem a apresentar uma situação privilegiada em relação ao panorama médio nacional. A capacidade dos ativos em gerarem resultados em 2024 diminuiu muito ligeiramente.

No ano de 2024, cada euro de ativos destas 500 maiores empresas gerou uma rendibilidade económica média superior a sete cêntimos, ao passo que em 2022 era superior a oito cêntimos.

Seguindo a mesma trajetória da rendibilidade anterior, a rendibilidade dos capitais próprios atingiu em 2024 o valor de 8,79% ao passo que em 2023 foi de 9,53%.

Apesar desta queda, a rentabilidade média dos capitais próprios é substancialmente superior às ofertas existentes no mercado de capitais.

Gráfico 8 – Indicadores de rendibilidade das 500 maiores empresas de distribuição de materiais de construção

Em relação às margens operacionais médias e líquidas médias dos volumes de negócios, em consonância com as duas rendibilidades anteriores, os seus valores apresentam pouca variação entre 2023 e 2024, sendo que a primeira se situa em torno dos 6% e a segunda em torno dos 4% para o ano de 2024, o que mesmo em face das reduções existentes se pode considerar bastante positivo.

O gasto médio com o pessoal em relação ao volume médio de negócios situou-se no ano de 2024 ligeiramente superior a 9%, em face dos volumes de negócios médios ter aumentado ligeiramente, mas os gastos com o pessoal terem tido um aumento relativamente superior.

Em relação ao valor médio relativo do EBITDA e em relação às receitas operacionais médias destas 500 empresas, o seu valor entre 2023 e 2024 revela um pequeno aumento, encerrando o ano de 2024 em 7,93%.

Este resultado pode ser considerado como uma eficiência elevada proporcionada pelas receitas operacionais médias.

No que concerne à margem bruta média das 500 maiores empresas, e como podemos verificar no gráfico 9 aumentou ligeiramente em 2024 face a 2023, atingindo neste último ano o valor de 23,01%.

Gráfico 9 – Margem bruta média das 500 maiores empresas de distribuição de materiais de construção

Outros indicadores

Gráfico 10 – Indicadores de rendibilidade das 500 maiores empresas de distribuição de materiais de construção

O volume de negócios médio por trabalhador em 2024 sofreu um ligeiro decréscimo pelo facto de o volume de negócios destas empresas ter aumentado relativamente menos que o aumento relativo do número de trabalhadores.

No ano de 2024 o volume de negócios médio por trabalhador situou-se nos 309 000€ ao passo que em 2023 foi de 312 000€.

Em sentido inverso o gasto médio por trabalhador aumentou cerca de 5,8% entre 2023 e 2024, mas esse aumento deveu-se essencialmente a aumentos salariais médios dessa magnitude que se verificaram em 2024, sendo que o gasto médio por trabalhador acompanhou essa tendência.

No ano de 2024 o gasto médio por trabalhador destas 500 empresas cifrou-se em 27 965€.

Em termos nacionais, no ano de 2024 o valor de gasto médio por trabalhador foi de 27 350 €, o que revela que em termos médios estas 500 empresas pagam aos seus trabalhadores vencimentos ligeiramente superiores à média nacional (gráfico 10).

2022 2023 2024
Número total de trabalhadores 14 034 14 405 14 810
Número médio de trabalhadores 28 29 30
Carga fiscal 17,64% 18,45% 21,58%

Tabela 1 – Valores para as 500 maiores empresas

Como se pode constatar pela tabela 1, as 500 maiores empresas de distribuição de materiais de construção, no seu conjunto estão a criar emprego, tendo no ano de 2024 ao seu serviço 14 810 trabalhadores, o que representa uma média de 30 trabalhadores por empresa.

Em relação à carga fiscal média real, verifica-se que a mesma aumentou cerca de três pontos percentuais em 2024 em relação a 2023.

Continua-se a verificar uma carga fiscal real superior ao que ocorre em diversos países europeus, em termos de impostos corporativos, o que dificulta o investimento.

 

Introdução || Resumo Biográfico
Análise Geral Ferragens e Ferramentas
Materiais de Construção Caixilharia de Alumínio
Produtos Sanitários e Climatização Isolamentos e Impermeabilização
Produtos Metálicos Tintas e Vernizes
Madeiras e Derivados Outros Subsetores
Glossário Contabilístico e Financeiro
 

Download dos Ficheiros:

2024

Poderá descarregar em PDF a edição do Ranking das 500 maiores empresas de distribuição de materiais de construção de 2024.

Descarregue os ficheiros em formato excel:

Indicadores        – Setores

 

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