Boletim Materiais de Construção nº 401

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Mudam-se os tempos, mudam-se as prioridades…

O novo ano afigura-se desafiante, embora ninguém saiba verdadeiramente o que vai acontecer. Há demasiadas incógnitas na equação, desde logo a começar pela imprevisibilidade da evolução da guerra na Europa, das suas repercussões económicas e dos eventuais contágios a outras regiões.

Para já são certas uma inflação elevada e novas subidas nas taxas de juro. E isso é relevante, uma vez que essa situação arrasta quebra no consumo e menos crescimento económico e, em alguns países, a recessão e o aumento do desemprego, que podem ser mais ou menos profundos e demorados.

Embora, na situação atual, as previsões para Portugal sejam simpáticas e, em particular na atividade da construção, onde esperamos um crescimento real de 1,9%, o maior problema seja a falta de mão-de-obra, haverá mudanças objetivas das condições a que importa estar atento.

Com efeito, é natural que a subida das taxas de juro em paralelo com o aumento da perceção do risco de crédito retire alguma liquidez ao mercado e crie estrangulamentos financeiros em muitas empresas. Os incumprimentos (e as falências) vão aumentar.

Os custos irão continuar a crescer mais rapidamente que os volumes de negócios e as margens estarão sob pressão. Se a isso juntarmos o aumento do custo do crédito, dependendo do nível de endividamento, poderemos vir a enfrentar dificuldades em sustentar a rentabilidade dos negócios.

Pior será se a tão desejada estabilização dos preços dos materiais de construção, importante para que os custos da construção não se tornem incomportáveis, acabar por se tornar numa redução. Nesse caso teríamos dois efeitos.

O primeiro, muito conhecido de quem trabalha com o ferro, é o de, provocar uma diminuição das margens e, no limite, vender mais barato do que se comprou.

Mas, mesmo que não chegue a tanto, há sempre um outro que, embora menos visível, é particularmente pernicioso e que resulta na redução nominal dos proveitos. Não estamos a pensar só nos volumes, estamos a referir-nos ao facto de que, durante o processo de ajustamento, que pode demorar muitos meses, a maioria dos custos já aumentou e, na maior parte dos casos, irá permanecer ou continuar a aumentar em termos nominais, ao mesmo tempo que os proveitos irão diminuir. Em resumo, vende-se o mesmo, o trabalho é igual (ou maior), os custos crescem e recebe-se cada vez menos. Para além da margem, a tesouraria vai sofrer.

Num cenário como este, a gestão terá que ajustar-se e as estratégias das empresas também. Num mercado tão competitivo como é o nosso, não será fácil melhorar margens, pelo que o aumento da eficiência e o atingir uma escala adequada serão fundamentais para diluir custos.

Bom Ano!

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