Boletim Materiais de Construção nº 399

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Que é feito do PRR?

Nos últimos dias foi noticiado que apenas 5% das verbas do PRR chegaram aos beneficiários, o que quer dizer que ainda está quase tudo por fazer.

A questão não é apenas o facto de que os 18,2 mil milhões a fundo perdido terem que ser usados, o mais tardar, até 31 de dezembro de 2026, mas principalmente a constatação de que estamos a atrasar as respostas às inúmeras dificuldades que hoje enfrentam as famílias e as empresas portuguesas, mais agudas e mais dramáticas do que as que existiam ao tempo em que este programa foi desenhado.

Recordamos, apenas, que em 2020 não existia crise energética, nem inflação, nem taxas de juro a escalar.

A velocidade a que as condições se alteraram é inacreditável. Até abril deste ano a taxa Euribor a 12 meses ainda era negativa e agora já está perto dos 3%! E a única certeza é que irá continuar a subir.

No nosso setor, embora as coisas tenham corrido bem até agora, as perspetivas que tínhamos de um crescimento sustentado até 2030 poderão ser postas em causa. Mais do que o crescimento dos preços dos materiais que ocorreu no último ano, é a volatilidade da situação e o aumento das taxas de juro que podem perturbar o investimento no imobiliário.

A política monetária dirigida ao controlo da inflação e a crise energética irão retirar muita da liquidez à economia e reduzir o crédito, fazendo baixar o consumo, o investimento empresarial e a despesa pública (orientação para a redução da dívida), o que tem que ter consequências ao nível da procura do imobiliário, a menos que este se mantivesse como ativo refúgio de eleição, o que não é provável, podendo mesmo vir a perder atratividade por deterioração da respetiva rentabilidade em comparação com outras alternativas.

Nada disto ocorrerá de um dia para o outro e, neste momento, apesar do arrefecimento que se nota relativamente ao arranque de novos projetos de habitação (particularmente no segmento emergente dirigido aos rendimentos médios), as obras em curso e a dinâmica do mercado da renovação, motivado sobretudo pela melhoria da eficiência energética, dão-nos uma expetativa de estabilidade para os próximos doze meses.

Se a economia do setor começar a “derrapar”, os investimentos previstos no PRR na área da construção, em particular nos equipamentos sociais e na habitação, poderão vir a fazer uma diferença significativa.

Mas, para isso, vão ter que sair do papel.

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