Boletim Materiais de Construção nº 380

 

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editorial

O pós-pandemia

Com o avanço da vacinação e as perspetivas de um desconfinamento efetivo a partir do Verão, começam a fazer-se as contas aos prejuízos reais, muitos deles ainda ocultos pelos apoios temporários e pelas moratórias do crédito e mais outras tantas soluções desta “vida” que no contexto social e das relações entre pessoas e empresas foram sendo acomodadas, em função da solidariedade, ou simples fruto das circunstâncias, determinadas pela tragédia que tudo paralisou.

Uma vez terminada esta “trégua”, veremos desenvolver-se os processos da crise, que nem os apoios dos tão badalados planos de resiliência e recuperação conseguirão nos próximos meses ou mesmo anos, estancar completamente. Enquanto muitos estarão ocupados a “lamber as feridas”, nós que passámos “entre os pingos da chuva” enfrentaremos outro tipo de desafios.

É verdade que o nosso setor não só não parou como continuou a crescer, sustentado por uma procura sólida do setor da construção, apanhado, felizmente para nós, numa boa fase do seu longo ciclo produtivo. Fase que é positiva e menos vulnerável ao fator do financiamento… Mas, esta situação, apesar da estabilização ao longo do ano de 2020 do principal indicador percursor da atividade – o licenciamento de obras –, é transitória e, quer a fragilização da procura final que pode resultar da redução da atividade económica, das falências, da diminuição do rendimento e do desemprego, quer a demora da recuperação do investimento estrangeiro em imobiliário e turismo, são suscetíveis, uma ou outra, ou no pior dos casos, as duas em simultâneo, de causar um efeito de “interrupção” da dinâmica atual que se poderia prolongar por alguns meses do próximo ano.

Este cenário está ainda muito longe de se tornar um dado adquirido e não configura verdadeiramente uma situação de crise no setor, mas tão só uma possível redução ligeira no nível de atividade e num período de tempo bastante limitado. De facto, as nossas previsões continuam a apontar para uma tendência de crescimento no setor, que deverá mesmo ser potenciada pelos efeitos das políticas públicas que estão desenhadas para incentivar a reabilitação e melhorar a eficiência energética dos edifícios, assim como para a construção de habitação “social” e novas infraestruturas na educação, na saúde e no setor social.

A mensagem que queremos passar é, por isso, de confiança. Neste momento deveremos manter afastados os receios de uma nova crise no setor e concentrar-nos na resposta proactiva aos verdadeiros desafios que enfrentamos, sejam eles no quadro da concorrência e da evolução dos mercados ou das mudanças nos processos de compra, quer na melhoria da nossa organização e eficiência, nos domínios das tecnologias da comunicação e informação ou da própria logística.

Qualquer que seja o cenário, a missão da Associação será sempre contribuir para o sucesso dos associados.

 

 

 

 

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