Setor dos materiais de construção manteve dinamismo mesmo em contexto de pandemia

Artigo publicado no Público.imobiliário – 14/04/2021 (ver aqui)

“A procura manteve-se muito forte. Os projetos de construção são, desde logo, de médio e longo prazo, pelo que estando devidamente financiados, não param. Sabemos que, nesse domínio, a procura nas obras de construção estava e permanece superior à capacidade de oferta”, disse José de Matos, secretário-geral da APCMC – Associação dos Materiais de Construção”. Outro fator que terá contribuído para a estabilidade da atividade mesmo em contexto de pandemia foi a reabilitação, nomeadamente a reabilitação privada, com os particulares a aproveitarem os períodos de confinamento para fazerem obras nas suas residências. “O facto de as pessoas estarem em casa fez florescer um pouco mais este mercado”. Um mercado que já é expressivo, mas que poderia ser ainda mais não fosse a escassez de mão-de-obra qualificada.

Para José de Matos, a reabilitação dos centros urbanos, com particular foco no turismo e outras atividades económicas, como o comércio e a restauração, foi o segmento que, nos últimos anos, mais alavancou este setor. O futuro da reabilitação, contudo, está noutra área. “Há um enorme parque de habitação construída, quase seis milhões de fogos, sendo que a maioria tem mais de 20 ou 30 anos pelo que precisa de obras de manutenção, remodelação e até de recuperação”.

No quarto trimestre de 2020, a associação diz que a atividade do setor da construção estabilizou, após a recuperação para uma situação de quase normalidade observada no terceiro trimestre do ano passado.

Fundo Ambiental foi um sucesso

Para o secretário-geral, o Fundo Ambiental, que prevê o apoio a soluções para a reabilitação de edificado residencial com o objetivo de melhorar o seu desempenho energético e hídrico, foi “um sucesso entre os particulares”, apesar de uma “gota no oceano”. O ano passado o orçamento foi de 4,5 milhões de euros, mas o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, revelou que em 2021 os programas de apoio à eficiência energética vão contar com o maior orçamento de sempre, com receitas estimadas em 571 milhões de euros, com a futura integração do Fundo para a Eficiência Energética, do Fundo Florestal Permanente, do Fundo para a Sustentabilidade Sistémica do Sector Energético e do Fundo de Apoio a Inovação. “Temos ainda mais expectativa naquilo que se prevê de utilização dos Fundos Europeus e do próprio Plano de Recuperação e Resiliência”.

Datacheck

Entretanto, a Associação dos Materiais de Construção lançou no mercado a plataforma de gestão que permite aceder a toda a informação sobre os produtos do setor dos materiais de construção. Designada de APCMC Datacheck, a ferramenta insere-se no projeto “Speed Up – Materiais de Construção 4.0”, apoiado pelo Compete 2020, que compreende, para além da plataforma, um conjunto de iniciativas de promoção e divulgação visando a digitalização de processos neste setor.

Para a associação, esta plataforma de gestão é o garante da qualidade da informação sobre os produtos, informação que será diretamente carregada e atualizada pelos fornecedores, num formato e com estrutura standard a nível europeu. A partir daí, os comerciantes, clientes desses fornecedores, poderão fazer de forma simples o download de toda a informação sobre os produtos, incluindo preços, imagens e fichas técnicas, etc., bem como as respetivas atualizações, numa vulgar folha de Excel.

O facto de ser usado um modelo standard europeu é um elemento facilitador importante, sobretudo para as empresas exportadoras nacionais, mas também para quem importa.

José de Matos refere que “a concretização, em cada uma das empresas e na cadeia de valor, das enormes vantagens em termos de economia de recursos, redução de erros e tempo, bem como as oportunidades que se abrem no domínio da automação de processos e da comunicação e marketing, só vai depender do grau de utilização. Podemos garantir, desde já, que é mais simples do que parece”.

“Speed Up”

A plataforma APCMC Datacheck está inserida num projeto mais abrangente que a Associação dos Materiais de Construção tem em curso e que vai permitir às empresas do sector a digitalização dos seus processos administrativos, logísticos e comerciais, bem como a comunicação com clientes e fornecedores, de forma mais célere, fiável e facilitada.

O “Speed Up – Materiais de Construção 4.0”, apoiado pelos fundos do Portugal 2020-COMPETE, que compreende um conjunto de iniciativas de promoção e divulgação mais abrangente, tem como principal objetivo acelerar a transição dos materiais de construção para uma nova realidade de adoção tecnológica e digital nos processos de negócio das PME, condições essenciais ao desenvolvimento de uma abordagem integral e integrada na fileira da construção nacional.

“Este é um projeto estratégico e estruturante para a fileira dos materiais de construção, para a atividade de projeto e para a própria construção, em particular para as PME, que irá facilitar a digitalização dos processos internos e a comunicação entre os diversos agentes, propiciando maior eficiência, aumentando a produtividade, dinamizando as vendas pelos canais digitais, impulsionando a utilização das ferramentas BIM e o EDI entre fornecedores e clientes”, acrescenta José de Matos.

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