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Boletim Materiais de Construção nº 440 |
Mais uma crise energética!

Decorrido um mês sobre o início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irão, já é possível sentir os efeitos nos preços da energia, o encarecimento do transporte marítimo e a subida das taxas de juro, assim como as primeiras disrupções nas cadeias de abastecimento e perspetivar situações muito diversas de escassez que poderão atingir matérias primas e outros produtos críticos.
Pode piorar? Pode e muito. Mas mesmo que haja um fim rápido e conveniente do conflito, os efeitos maiores desta situação irão prolongar-se por cerca de seis a oito meses e as consequências sobre o nível geral de preços e, sobretudo, sobre os salários, estender-se-ão a 2027.
É um déjà vu. Mas será que a experiência ainda recente e a memória bem vivida que temos do que aconteceu, das medidas de política pública, dos comportamentos dos diversos agentes de mercado e dos consumidores, bem como das nossas ações (com acerto e erros), nos fornece todas as armas para lidar com o problema? Podemos ficar descansados?
A resposta é não! A experiência ajuda muitíssimo, mas a história não se repete. Há sempre nuances.
Desde logo, como todos aprendemos algumas coisas, vamos agir diferente. O conhecimento gera capacidade de antecipação e vai acelerar, em alguns casos, os processos de ajustamento. Noutros, travará medidas precipitadas ou cujos efeitos foram nulos ou contraproducentes. O mix de ações será diferente e os resultados também.
Por outro lado, a situação económica e de mercado também não é a mesma, como são diferentes os políticos que estão ao leme. E, finalmente, há a dinâmica da realidade que evolui de forma incerta e em grande medida de modo imprevisível.
Já sabemos que os custos vão aumentar. Conseguiremos refletir esses aumentos nos preços? Será que as próprias margens poderão subir, assim como a liquidez, antes de voltarem ambas a baixar quando os preços ajustarem (como aconteceu antes…)?
O mais importante. Como vai reagir o setor da construção, vai absorver os aumentos de custos ou vai abrandar rapidamente? E o mercado imobiliário, a procura está sustentada ou a confiança dos compradores será abalada e os investidores irão procurar outras alternativas?
Não sabemos, pois não?

