Análise de Conjuntura do Setor da Construção – 3º trimestre 2025

Apreciação Global

No 3º trimestre de 2025 a atividade da construção continuou a crescer, tal como já se tinha observado no período anterior, após um primeiro trimestre menos positivo, muito afetado pelas más condições climatéricas.

De facto, verificou-se que o índice de produção no sector da construção e obras públicas aumentou 0,65% face ao trimestre anterior. Todavia, esta subida foi menos intensa que no trimestre anterior (+ 1,75%) e ficou a dever-se, sobretudo, ao segmento da construção de edifícios que aumentou 1,52%, enquanto o segmento de obras de engenharia diminuiu 0,71%.

Em termos homólogos, o índice de produção total aumentou 3,00% e foi também mais influenciado pelo segmento da construção de edifícios que registou um aumento de 3,78% enquanto o segmento das obras de engenharia apresentou um aumento de 1,78%.

Também os dados relativos ao emprego na construção e obras públicas refletem esse crescimento da atividade, tendo-se registado uma taxa de variação homóloga de 2,68% e de 0,15% em termos trimestrais, valores que comparam com 3,06% e 1,46% respetivamente, observados no segundo trimestre do ano. A variação média nos últimos 12 meses terminados em setembro foi de 2,58% (2,44% em junho 2025).

A acompanhar a melhoria da atividade estiveram, também, as vendas de cimento das empresas nacionais para o mercado interno que, após o expressivo aumento em termos homólogos observado no trimestre anterior (6,0%), registaram neste terceiro trimestre um crescimento homólogo de 5,3%.

Mais uma vez, o sentimento de confiança no sector da construção e obras públicas foi positivo, tendo o respetivo índice registado um valor de 2,7 pontos (mas um pouco inferior aos 4,5 pontos apurados no período anterior).

As expetativas para o futuro próximo mantêm-se elevadas, atendendo, em particular, aos números de licenças de construção que, apesar de algumas flutuações trimestrais porventura relacionadas com efeitos de calendário (neste caso as férias de verão), continuam a apresentar uma tendência de aumento que já dura há quase dois anos.

Na verdade, embora neste 3º trimestre de 2025 o número de edifícios licenciados tenha diminuído 3,6% em relação ao trimestre anterior e 4,1% em termos homólogos, a variação média anual do número de edifícios licenciados no trimestre terminado em setembro de 2025 manteve-se largamente positiva (11,3%).

Também no caso das licenças para obras de reabilitação, apesar da redução observada pelo segundo trimestre consecutivo, mantiveram uma tendência de crescimento no médio prazo que foi observada desde o início de 2024, após um período de mais de quatro anos em que haviam perdido sucessivamente expressão. O número de licenças de obras de reabilitação registou no 3º trimestre de 2025, como referimos, uma redução de 3,1% face ao trimestre anterior e, em termos homólogos uma diminuição na ordem dos 2,9%, mas a variação média anual no trimestre terminado em setembro de 2025 foi de +9,8%.

Se observarmos a área de construção licenciada, que nos dá uma ideia mais rigorosa da dimensão do trabalho que está para vir, verificamos que a mesma aumentou neste trimestre, atingindo o valor de cerca 3,14 milhões de m2.

Nota: este indicador integra realidades tão diversas como habitação, escritórios, indústria e comércio, construção nova e reabilitação, não incluiu as obras de promoção pública (legalmente dispensadas de licenciamento), as quais, no âmbito do PRR, são particularmente significativas.

Exemplo da dinâmica que continua a verificar-se no sector, é o que se passa no segmento da construção de habitação, em particular no número total de fogos licenciados em construções novas para habitação familiar, o grande motor do setor desde 2020.  De facto, verificamos que, apesar da redução em 8,8% face ao trimestre anterior, a variação homóloga neste trimestre foi positiva em 7,3%, assim como a variação média anual que se cifrou nos 21,8%.

Estes números continuam a apontar para um ritmo futuro da construção acima dos 40 mil fogos anuais, o que neste momento não parece possível de concretizar, a menos que se retirem recursos de outros segmentos da construção, uma vez que se estão a produzir atualmente pouco mais de 20.000 fogos novos por ano e a mão-de-obra no setor está a crescer apenas 2,5% ao ano.

Como temos vindo a sublinhar, persistem sérios problemas estruturais que vão continuar a limitar muito o crescimento do setor. O mais relevante é a falta de mão-de-obra, que não só impede ao setor responder à procura atual, mas também pressiona o crescimento dos custos de construção, inviabilizando alguns projetos e tornando mais difícil o acesso à habitação. Outro, é a questão do financiamento, que limita de forma decisiva a promoção da construção de habitação para os segmentos médio e baixos da população.

A anunciada medida de aplicação do IVA reduzido à construção de habitação poderá vir a ter algum impacto nos custos, mas a forma como ela tem vindo a ser anunciada dá a entender que a redução só ocorrerá no fim do ciclo, isto é, no momento da venda, o que atira o benefício para daqui a dois ou três anos… Por outro lado, a perspetiva de que ela só se aplique a licenciamentos futuros, poderá vir a atrasar o avanço de muitos projetos ou até, inclusive, a levar a que os promotores repitam o processo, criando um hiato que poderá ser muito nocivo.

Já no caso das medidas de redução para 10% da taxa de tributação das rendas, o seu efeito sobre o mercado do arrendamento poderá ser muito mais amplo e rápido, fazendo disparar a oferta e tornando as rendas mais acessíveis, beneficiando no processo o segmento da renovação, mas só terá verdadeiro impacto se a medida fiscal for acompanhada por uma melhoria das garantias dos proprietários.


Obras Licenciadas

No 3º trimestre de 2025, o número de edifícios licenciados diminuiu 3,6% em relação ao trimestre anterior. Em termos homólogos, também registou uma diminuição de 4,1%.

A variação média anual do número de edifícios licenciados no trimestre terminado em setembro de 2025 foi positiva (11,3%).

Quando analisamos em termos de regiões, podemos ver que a maior parte dos edifícios licenciados, como habitualmente, estão localizados no Norte.

No terceiro trimestre de 2025 só as regiões do Norte, Centro e RA Madeira apresentaram aumentos, todas as outras regiões diminuíram o número de edifícios licenciados relativamente ao segundo trimestre do ano.

Em termos homólogos, o número de edifícios licenciados aumentou no Centro, Oeste e Vale do Tejo e RA Madeira, todas as outras regiões diminuíram o número de edifícios licenciados relativamente ao mesmo terceiro trimestre do ano anterior.

No que se refere à evolução do licenciamento relativo às construções novas para habitação familiar, o terceiro trimestre de 2025 registou uma diminuição de 2,5% quando comparado com o trimestre anterior.

A taxa de variação homóloga também foi de -2,7%, e a taxa da variação média anual cifrou-se em 12,6%.

Por sua vez, o número total de fogos licenciados em construções novas para habitação familiar no terceiro trimestre do ano diminuiu 8,8% face ao trimestre anterior. Mas, uma vez mais, a variação homóloga neste trimestre foi positiva, fixando-se em 7,3%, assim como a variação média anual que se cifrou nos 21,8%.

Quando olhamos mais uma vez para os valores em termos de regiões, podemos ver que 50% dos fogos licenciados também estão localizados no Norte. Ao nível trimestral, deparamo-nos com aumentos nas regiões do Norte, Alentejo e RA madeira ao passo que nas restantes regiões diminuíram.

Em termos homólogos, registou-se um aumento nas regiões Norte, Centro, Oeste e Vale do Tejo e RA Açores, enquanto as regiões da Grande Lisboa Península de Setúbal, Alentejo, Algarve e RA Madeira diminuíram.

Obras de Reabilitação

O número de licenças de obras de reabilitação registou uma diminuição trimestral de 3,1%. Em termos homólogos registou uma diminuição na ordem dos 2,9% e a variação média anual no trimestre terminado em setembro de 2025 foi positiva, apresentando um valor de 9,8%.

Produção na Construção e Obras Públicas

O índice de produção no sector da construção e obras públicas no terceiro trimestre do ano aumentou 0,65% face ao trimestre anterior. Esta subida ficou a dever-se, sobretudo, ao segmento da construção de edifícios que aumentou 1,52%, enquanto o segmento de obras de engenharia diminuiu 0,71%.

Em termos homólogos, o índice de produção total aumentou 3,00% e foi também mais influenciado pelo segmento da construção de edifícios que registou um aumento de 3,78% enquanto o segmento das obras de engenharia apresentou um aumento de 1,78%.

Em termos de variação média anual observou-se uma variação positiva do índice de produção total de 2,59%, sendo que o índice relativo à construção de edifícios aumentou 3,33% e o das obras de engenharia aumentou 1,41%.

 

Vendas de Cimento

No terceiro trimestre de 2025 as vendas de cimento das empresas nacionais para o mercado interno aumentaram, em termos homólogos, 5.3%.

De acordo com os Inquéritos de Opinião da Comissão Europeia, o índice de confiança no sector da construção e obras públicas diminuiu um pouco relativamente ao trimestre anterior, fixando-se nos 2,7 pontos.

Emprego

No terceiro trimestre de 2025, o emprego na construção e obras públicas registou uma taxa de variação homóloga de 2,68% e de 0,15% em termos trimestrais, valores que comparam com 3,06% e 1,46% respetivamente, observados no segundo trimestre do ano.

A variação média nos últimos 12 meses terminados em setembro foi de 2,58% (2,44% em junho 2025).

 

Remunerações

No terceiro trimestre de 2025, o índice de remunerações registou uma taxa de variação homóloga de 8,19%, e uma variação trimestral de -0,18%, valores que comparam com 11,09% e 11,09% respetivamente, observados no trimestre anterior.

A variação média nos últimos 12 meses terminados em setembro foi de 10,18% (10,66% em junho 2025).

 

Taxas de Juro

A taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito fixou-se, no mês de setembro 2025, em 3,180%, que corresponde a uma diminuição de 0,205 pontos percentuais face à registada no mês de junho 2025.

Nos contratos para “Aquisição de Habitação”, a taxa de juro observada em setembro de 2025 foi de 3,266%, tendo também diminuído 0,200 p.p. em relação à taxa observada em junho de 2025.

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Fonte: INE

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