Boletim Materiais de Construção nº 439

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Agora os “cisnes negros” andam em bando

Na gestão, a expressão “cisne negro” utiliza-se para designar os acontecimentos de natureza imprevisível, raros, mas incontroláveis e que podem ser devastadores, perante os quais apenas podemos reagir.

São o tipo de coisas em que não pensamos, nem podíamos pensar, quanto estabelecemos os nossos planos de negócio, mas que, quando ocorrem, podem colocar tudo em causa.

Contrariando a regra, os últimos anos têm sido pródigos em produzir más surpresas. Já para não falar da pandemia e da perturbação que causou nas redes logísticas do comércio mundial (que até não correu mal para o nosso setor) e de uma guerra na Europa que fez disparar os preços da energia, vivemos há um ano numa “guerra” global de tarifas sem fim à vista e só na última semana começaram mais duas guerras na zona mais perigosa do mundo.

Num mundo que parece ter enlouquecido, nem o clima ficou de fora e os fenómenos apocalípticos de tempestades, cheias e incêndios, sucedem-se em todo o mundo de tal forma que até já nem nós, neste jardim à beira-mar plantado, escapámos.

Dizem que é o novo normal! Habituemo-nos, portanto, a lidar com o incerto e o imprevisível.

Mas o que é que isso significa para as empresas? Adiamos as decisões? Preparamo-nos para o pior e esperamos o melhor? Decidimos arriscar tudo na expetativa que as dificuldades dos outros poderão ser o nosso ganho?

A verdade é que introduzir este tipo de incerteza nos modelos de gestão não funciona bem. Gerir é decidir e uma decisão deve ter sempre consequências ou resultados previsíveis, pressupõe um cenário ou cenários alternativos, minimamente definidos e com alguma estabilidade temporal. Isto é, para além de um nível aceitável de incerteza, próprio da dinâmica como a realidade se desenvolve, que manda o bom-senso seja sempre considerado, a aleatoriedade total é incompatível com a gestão e com os processos sociais.

O que fazer? A resposta até parece simples.

Face a este novo normal de incerteza, a única coisa a fazer é preparar as nossas organizações para serem mais resilientes, isto é, mais flexíveis, adaptáveis e com processos de decisão mais rápidos.

Isto não tem a ver com dimensão, nem com capital. Tem tudo a ver com organização, gestão da informação, cultura organizacional e qualificação dos recursos humanos.

 

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