Análise de Conjuntura do Setor da Construção – 4º trimestre 2025

Apreciação Global

No 4º trimestre de 2025 a atividade da construção manteve a tendência de crescimento observada nos três trimestres anteriores, mas muito à custa do aumento da atividade do segmento das obras públicas.

De facto, verificou-se que o índice de produção no sector da construção e obras públicas aumentou 1,35% face ao trimestre anterior. Esta subida até foi intensa que no trimestre anterior (0,65%), mas ao contrário do que então se verificou, ficou a dever-se, sobretudo, ao segmento das obras de engenharia que aumentou 3,34%, enquanto o segmento da construção de edifícios aumentou apenas 0,15%.

Em termos homólogos, o índice de produção total aumentou 1,38% e foi também mais influenciado pelo segmento das obras de engenharia que registou um aumento de 2,19% enquanto o segmento da construção de edifícios apresentou um aumento de 0,88%.

No quarto trimestre de 2025, o emprego na construção e obras públicas registou uma taxa de variação homóloga de 2,41% e não teve variação em termos trimestrais, valores que comparam com 2,65% e 0,12% respetivamente, observados no terceiro trimestre do ano.

A variação média nos últimos 12 meses terminados em dezembro foi de 2,55% (2.58% em setembro 2025).

A acompanhar o crescimento da atividade estiveram, também, as vendas de cimento das empresas nacionais para o mercado interno que, após o expressivo aumento em termos homólogos observado no trimestre anterior (5,0%), registaram neste terceiro trimestre um crescimento homólogo de 2,2%.

Mais uma vez, o sentimento de confiança no sector da construção e obras públicas foi positivo, mas em decréscimo, tendo o respetivo índice registado um valor de 2,2 pontos (compara com 2,7 pontos apurados no 3º trimestre e 4,5 no segundo trimestre).

As expetativas para o próximo ano mantêm-se elevadas, atendendo, em particular, aos números de licenças de construção que, apesar da redução observada nos dois últimos trimestres, em particular no segmento da reabilitação, continuam a apresentar uma tendência positiva que já dura há dois anos.

Na verdade, embora neste 4º trimestre de 2025 o número de edifícios licenciados tenha voltado a diminuir em relação ao trimestre anterior 8,8% (14,2% em termos homólogos), a variação média anual do número de edifícios licenciados no trimestre terminado em dezembro de 2025 manteve-se ainda positiva (2,4%).

As licenças para obras de reabilitação, como referimos, registaram uma redução muito acentuada, na sequência das quebras observadas nos dois trimestres anteriores. Com efeito o número de licenças de obras de reabilitação registou no 4º trimestre de 2025, como referimos, uma redução de 12% face ao trimestre anterior e, em termos homólogos uma diminuição na ordem dos 22%, tendo a variação média anual no trimestre terminado em dezembro de 2025 caído para -0,2%.

Esta diminuição do número de licenças indicia uma quebra no investimento em reabilitação, cujas causas podem residir, eventualmente, na escassez de mão-de-obra e no aumento do respetivo custo, que é particularmente mais pesado nas obras de reabilitação do que na construção nova, a que temos ainda que somar o preço proibitivo que os imóveis para reabilitar atingiram nos centros urbanos, num contexto em que a atividade do alojamento local regista dificuldades crescentes, quer de mercado e de carácter regulamentar.

A área de construção licenciada, que nos dá uma ideia mais rigorosa da dimensão do trabalho que está para vir, verificamos que a mesma diminuiu um pouco neste trimestre, superando ligeiramente os 3 milhões de m2, valor que, ainda assim, se encontra acima da média trimestral dos últimos três anos.

Consulte aqui o estudo Análise de Conjuntura 4º Trimestre 2025

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