Obras, Materiais e Equipamentos para a Construção nº 131

Um dos efeitos da pandemia foi o de acelerar a utilização da digitalização dos processos em quase todos os domínios, em particular na comunicação, nas compras e nos pagamentos, mas também na organização e na prestação do trabalho.

Num sector marcadamente tradicional, como a construção, pode parecer à primeira vista que a utilização das novas tecnologias é menos relevante, mas temos vindo a descobrir que, porventura, poderá vir a ser exatamente o contrário.

Com as obrigações do distanciamento social, as vendas pela Internet e, sobretudo, para os clientes profissionais, as encomendas via extranet, aumentaram e tornaram-se cada vez mais comuns, da mesma forma que a utilização de catálogos eletrónicos, dos dispositivos móveis e das app´s cresceu substancialmente.

Ao nível dos projetistas, seja pelos requisitos da qualidade impostos ao projeto e à sua gestão, seja, mais recentemente, pela pressão do trabalho à distância, o uso do BIM está a aumentar e, em certos casos, passou mesmo a ser exigido pelos promotores e donos de obra.

Ao mesmo tempo, já temos empresas de construção que estão a inovar e a substituir parcialmente a construção em estaleiro por “montagem” de componentes dos edifícios em ambiente fabril. Em alguns casos, a monitorização do processo construtivo e do comportamento do edifício e dos equipamentos já é feita através de sensores e da recolha e processamento de informação.

Esta transformação exige a todos um outro rigor e planeamento, assim como o recurso mais alargado às novas tecnologias da comunicação e informação eletrónica, as quais dependem da existência de dados extensos e completos sobre produtos e sistemas e respetivos desempenhos, em formatos estandardizados e acessíveis, por conseguinte, digitalizados.

A transformação digital da construção não é um fim em si próprio, mas um meio para cumprir com as metas ambientais e da eficiência no uso de recursos, bem como para atingir um nível de eficiência que garanta a sua sustentabilidade económica num mundo em que a mão-de-obra qualificada é cada vez mais escassa.

Vai ser um facto e quem não acompanhar arrisca-se, mais cedo ou mais tarde, a “ficar de fora”.

Obras, Materiais e Equipamentos para a Construção nº 131

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