Obras, Materiais e Equipamentos para a Construção nº 129

A dificuldade em conter os novos surtos nos países inicialmente afetados pela pandemia da COVID-19 e a sua propagação, em crescendo, a outras regiões do planeta, nomeadamente na América do Sul, na Rússia e na Índia, tem vindo a minar as expetativas de uma rápida recuperação económica em V) e a tornar cada vez mais plausível o prolongamento desta crise por bastantes meses, seguido de um ainda mais longo período de retoma (um U, muito aberto e com uma “perna direita” inclinada).

Entre nós isso significa uma quebra do produto que alguns já estimam entre os 12% e os 13% (contra os 6,8% que inicialmente a UE previra), um desemprego que pode atingir valores da mesma ordem e um agravamento da dívida pública para algo como 150% do PIB. A nossa economia será especialmente afetada pela redução das exportações de bens (têxtil, calçado, moldes e componentes para a indústria automóvel), mas sobretudo pela redução brutal e prolongada das viagens e do turismo, que representavam entre 12% a 14% do PIB antes da pandemia.

Um dos poucos setores que, em Portugal, continuará a escapar a esta derrocada é o da fileira da construção, onde a quebra de atividade devido à pandemia foi mínima.

Uma procura muita dinâmica nos últimos anos sem que a oferta tenha sido capaz de a acompanhar, conjugada com um ciclo de construção muito longo, gerou uma carteira enorme de projetos em curso e muitos mais ainda por iniciar, a maior parte dos quais estão adequadamente financiados e têm perspetiva forte de ter mercado na data da sua conclusão.

É verdade que alguns projetos turísticos, sobretudo na área do alojamento local, estão a sofrer dissabores que permanecerão ainda por quase um ano, mas, a acreditar na recuperação que já se faz sentir nos negócios imobiliários, no anúncio do arranque de projetos de grande dimensão, na procura do crédito à habitação e na pouca sensibilidade quer das rendas, quer dos preços de venda, constatada nesta crise, não é para já previsível, e desde que não sobrevenha uma crise financeira mundial, qualquer problema sério na área da construção e dos materiais de construção que vá para além do impacto que o aumento do desemprego e a diminuição temporária do poder de compra das famílias irá ter em alguns segmentos.

É claro que contamos com a chegada dos fundos para a recuperação económica a tempo de evitar o pior ao nível da procura, quer pelo consumo, quer pelo investimento (sobretudo o privado, porque o investimento público continuará refém da dívida) e uma retoma do turismo e das viagens a partir da primavera do próximo ano. Se tal não acontecer, a confiança pode perder-se e, com ela, a “boa onda” do imobiliário e da construção.

Obras, Materiais e Equipamentos para a Construção nº 129

PDF || Versão Completa

Publicações Anteriores