Obras, Materiais e Equipamentos para a Construção nº 125

EDITORIAL

 

A atividade da construção e da reabilitação de edifícios continua intensa e assim deverá prosseguir por mais alguns anos, mas isso não significa que não existam obstáculos e ameaças suscetíveis de fazer perigar o bom momento que se vive.
 

Dr. José de MatosNormalmente, os efeitos neste sector, sejam de fatores favoráveis ou desfavoráveis, não se fazem sentir de forma imediata e, por isso, são muitas vezes desvalorizados.

Neste momento, prefiguram-se três ameaças maiores à continuidade do crescimento da atividade da construção: a capacidade do sector da construção, a subida dos preços da construção e o agravamento fiscal dos rendimentos prediais.

A primeira tem uma natureza predominantemente física e tecnológica.

As empresas de construção em Portugal sofreram durante a crise sérios danos na sua capacidade financeira, técnica (redução de quadros e pessoal qualificado) e de equipamentos, que se refletiram igualmente na sua evolução em termos de assimilação de novos processos de construção. A capacidade do sector está, além disso, limitada ao nível do crescimento da mão-de-obra, quer pela redução da base de recrutamento interna (demografia e falta de atratividade do sector junto dos jovens), quer pela concorrência dos salários bem mais elevados pagos por países como a França, a Bélgica ou a Alemanha, que também se debatem com falta de profissionais neste sector.

A segunda ameaça, consubstanciada num grande aumento dos preços dos trabalhos de construção, resulta do desequilíbrio entre a capacidade da oferta limitada pela referida escassez da mão-de-obra e uma procura que permanece forte.

Na verdade, o aumento dos custos salariais não chega para explicar a subida vertiginosa dos preços, os quais correspondem, principalmente, ao crescimento das margens das empresas de construção.

A questão é que o aumento dos custos da construção já começa a ameaçar a rentabilidade das operações imobiliárias. Sobretudo na habitação, há um limite para o preço que as famílias podem pagar.

A última, mas não menos importante, vem da voracidade fiscal do estado e das políticas públicas desajustadas em matéria de habitação.

Nos últimos dias o Primeiro-ministro falou em regressar ao englobamento obrigatório, em sede de IRS, dos rendimentos prediais, acabando com a opção pela taxa liberatória de 28%. Esta medida iria ao arrepio do objetivo principal de fomentar a oferta no mercado do arrendamento, com a preocupação vincadamente social de disponibilizar habitação às famílias portuguesas a preços mais acessíveis. Os efeitos duma medida desta natureza poderão ser absolutamente perversos.

Entre todas, há dificuldades que são maís difíceis de vencer que outras.

Pelo menos uma delas é claramente evitável. Basta não estragar!
 

Obras, Materiais e Equipamentos para a Construção nº 125

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