Obras, Materiais e Equipamentos para a Construção nº 121

EDITORIAL

As notícias que nos chegam sobre o abrandamento do crescimento económico na Europa e os perigos adicionais que decorrem da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, da instabilidade dos mercados financeiros e do Brexit, não tiveram para já impacto relevante na atividade da construção.
 

Dr. José de MatosAs expetativas, em praticamente todos os países europeus (com exceção da Itália) confirmadas pelo crescimento dos negócios nos dois primeiros meses do ano, são de um mercado da construção pujante e em aceleração.

Pelos vistos, neste capítulo, Portugal não destoa da Europa e, quer o ano corrente, quer o que se lhe segue, anunciam-se auspicios os para a atividade dos materiais de construção, com a aliciante de termos eleições à porta. As eleições sempre constituíram uma alavanca importante para a realização do investimento público em obras e, sobretudo no caso das autarquias, elas terão à sua disposição cerca de 630 milhões de euros extra que, na reprogramação do Portugal 2020, foram retirados aos instrumentos financeiros de apoio às empresas para serem afetos à área do Investimento Territorial.

Mas nem tudo são “rosas” para a fileira do imobiliário e da construção. As políticas governamentais na área da habitação e do arrendamento parecem apressadas e pouco consistentes, ameaçando a estabilidade e a confiança dos agentes económicos. Por outro lado, a mão-de-obra qualificada escasseia e os salários tendem a subir muito rapidamente, criando incerteza nos prazos de execução das obras e nos respetivos custos.

O pior é que neste último domínio as coisas podem tornar-se ainda mais complicadas. Toda a Europa sofre de falta de profissionais qualificados. Os mais velhos vão atingindo a idade de reforma e cada vez menos jovens são atraídos por estas profissões. A tendência é que os profissionais dos países do sul migrem para o centro da Europa, aliciados por salários que são consideravelmente mais elevados e que não param de subir…

A procura por soluções construtivas mais simples, a prefabricação, o fornecimento em kits e a utilização de processos do tipo industrial, com menos requisitos de intervenção de profissionais especializados, vai ser cada vez maior.
 

Obras, Materiais e Equipamentos para a Construção nº 121

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