Boletim Materiais de Construção nº 369

A próxima vaga.

A capacidade financeira de muitos dos nossos concidadãos e numerosas empresas foi seriamente afetada e, apesar dos apoios que o Estado disponibilizou, há cada vez mais situações verdadeiramente dramáticas.

 

Muitos setores foram arrasados, como as viagens, turismo, restauração, comércio ou diversos serviços e, mesmo, muitas indústrias. As empresas da construção e as da distribuição de materiais de construção puderam, com algumas limitações, prosseguir as suas atividades e, assim, evitar quebras avultadas na faturação e nos rendimentos durante este período.

Não é que não haja empresas afetadas, porque existem muitas que o foram, ou por necessidade de encerramento sanitário, ou por divisão das equipas e redução de horários de funcionamento, ou pela suspensão de encomendas, ou pelo confinamento dos clientes, ou por outras razões relacionadas com a reposição de mercadorias ou adiamento de ações de marketing. Mas também houve outras que aproveitaram a oportunidade e o posicionamento para aumentar as vendas. É um balanço que ainda carece de ser feito.

Como já o afirmámos antes, estamos convencidos que o setor do imobiliário e da construção não será, para já, muito afetado, atentas as condições atuais de mercado (uma oferta insuficiente e uma forte procura deste tipo de ativos) e, por isso, as vendas de materiais de construção também não deverão sofrer quebras sensíveis na sua generalidade. Outra coisa é saber como se vão adaptar os diversos segmentos do negócio e como irão alterar-se as condições em que se realiza a atividade, desde a concessão de crédito, às margens, passando pelas modalidades da concorrência.

E neste domínio, queremos, para já, focar-nos num tema premente: crédito.

Já há muitos a invocar a pandemia e dificuldades financeiras para não cumprir prazos de pagamento acordados, ou para alterar as condições habitualmente praticadas, num “choradinho” que muitas vezes não tem outra justificação que não a de procurar tirar partido da situação. É verdade que há novas condicionantes financeiras, mas elas afetam todos os que estão na mesma cadeia de valor.

Situações concretas deverão ser, naturalmente, avaliadas. Mas ninguém vai vender um euro a mais por conceder crédito que objetivamente não pode garantir nem suportar. Mas arrisca-se, seguramente, a ser o próximo a fechar as portas.

Cuidado com a vaga dos calotes!

 

Boletim Materiais de Construção nº 369

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