Boletim Materiais de Construção nº 413

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Nós por cá todos bem!

O ano de 2024, apesar dos mais auspiciosos desejos, não se anuncia nem fácil, nem muito previsível num vasto conjunto de factos e incidências que poderão ser determinantes para a vida das pessoas e das empresas.

Com efeito, se as macrotendências e as próprias estratégias dos grandes blocos político-económicos parecem estar cada vez mais clarificadas, já no domínio dos processos de mudança ou de transição as coisas estão muito mais complicadas. Percebemos que está em curso uma profunda transformação civilizacional, mas é muito difícil entender não só as suas consequências, mas, também, os respetivos custos, as etapas, o ritmo e o modo como se irá concretizar.

São esses custos da transição que ninguém quer suportar. Todos querem os “amanhãs que cantam”, mas ninguém, sobretudo as sociedades mais abastadas, estão disponíveis para pagar um preço que signifique uma redução (temporária?) do seu nível de vida. E os “emergentes” aceitam ainda menos interromper ou adiar a concretização legítima da sua ambição de viver melhor.

É uma situação que estimula antigos conflitos e que gera outros novos, numa luta pela supremacia, isto é, pela possibilidade de ditar ou influenciar de forma determinante as condições em o futuro será construído. Temos guerras, num patamar e extensão que ainda podem subir, quer as de natureza militar, quer as de carater comercial e tecnológico, mas também temos “crises” demográficas, geracionais, sociais e políticas que estão a abalar as sociedades, a criar ansiedade e a dificultar a gestão interna de expetativas que são cada vez menos convergentes.

Neste cenário de fundo, nós, portugueses, temos vivido muitos anos de verdadeira alienação dos problemas, que, entretanto, se amontoam inexoravelmente e que, por isso, tornam mais difícil a nossa integração, sem acréscimo de “dores”, neste processo imparável. De forma tristemente brilhante, tornámo-nos especialistas em mobilizar fundos e subsídios, não para criarmos mais riqueza e nos tornarmos autónomos, mas para vivermos, cada vez mais, como país, à conta deles, como se não tivessem fim. Já chegámos ao ponto dos nossos políticos fazerem dos seus cargos nacionais um trampolim para cargos europeus! Isso diz tudo do que são e do que ambicionam para Portugal!

O nosso indesmentível sucesso em arranjar sempre uma solução para problemas complicados, até mesmo tirar vantagens imediatas de fenómenos tão dramáticos como pandemias e guerras, está, paradoxalmente, a minar o nosso futuro. O empobrecimento do país está a ser ocultado pelas políticas sociais de subsidiação, pela mobilização dos fundos europeus para o funcionamento dos serviços públicos e pela utilização de mão-de-obra barata dos imigrantes, mas tem como contrapartida a redução do investimento privado produtivo e a emigração dos nossos recursos humanos mais qualificados e ambiciosos.

Por isso, em 2024, para nosso descanso, é muito provável que possamos continuar a beneficiar dos frutos desta nossa especialização nacional na angariação e gestão de fundos, gozando da relativa prosperidade aparente e oferecendo lucrativamente as nossas amenidades aos turistas que nos visitam, enquanto outros desafortunados por esse mundo inteiro investem e trabalham para ter empresas e países mais competitivos.

Deve dar, pelo menos, até 2026. Depois? Logo se vê.

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