Boletim Materiais de Construção nº 379

 

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editorial

A Economia Circular nos Materiais de Construção

Desde que em 2018 a Comissão Europeia lançou a iniciativa da Economia Circular, este conceito tem vindo a ser gradualmente aprofundado e integrado nas políticas nacionais, bem como nas diversas abordagens sobre a sustentabilidade.

Os impactos da circularidade vão muito para além das questões estritamente ambientais, destacando-se as suas implicações económicas no ciclo de vida dos produtos e, também, na reorientação dos serviços.

A urgência de interiorização da ideia de circularidade pelas empresas nos respetivos modelos de negócio tornou-se ainda mais evidente com a aprovação da UE do chamado “Green Deal”, elemento basilar e enformador da estratégia europeia que, inclusive, determina as orientações para utilização dos fundos comunitários no próximo ciclo de programação e da célebre “bazuca”.

Quer queiramos quer não, seja ao nível dos apoios financeiros, seja da sucessiva regulamentação europeia e nacional, seja das oportunidades de negócio, dos critérios das entidades financeiras ou da opinião pública e das preferências dos clientes, o ambiente, a descarbonização e a economia circular tornaram-se temas obrigatórios e inadiáveis para qualquer empresa.

Mas se nisto todos estaremos de acordo, falta responder à pergunta do que, em concreto, isto significa para os materiais de construção, quer em termos de exigências, quer de oportunidades. Ou, mais simplesmente, em que é que isto nos afeta, se estamos preparados para lidar com o problema ou o que podemos fazer para nos adaptarmos com sucesso ao novo paradigma.

Convém sublinhar, desde logo, que o nosso setor se encontra inserido na fileira da construção, que é referenciada como uma das mais importantes, se não a principal, no domínio dos impactos ambientais, seja pelo consumo de recursos naturais, seja pelo consumo energético, seja pelos resíduos produzidos. Ao mesmo tempo, é apontada como a mais atrasada na área da digitalização e das mais lentas na adoção das novas tecnologias. Por isso, vai haver medidas de política especialmente dirigidas ao setor, promovendo novos métodos de construção e reabilitação, produtos mais duráveis, reutilização e reparação de equipamentos e de componentes de edifícios, redução de consumos energéticos na produção de materiais, no transporte, na atividade da construção e na fase de utilização dos edifícios, etc., etc..

Os períodos de grande mudança são também períodos de oportunidade, desde que estejamos atentos e preparados, desde que conheçamos os desafios e as nossas forças e fraquezas.

A nossa Associação, como em todos os outros temas de interesse para os comerciantes de materiais de construção, terá uma intervenção ativa e, o primeiro passo, será a realização de um diagnóstico sobre o estado do setor e de cada empresa no domínio da economia circular, baseado num inquérito de avaliação que iremos desenvolver em parceria com uma entidade do ensino superior, para o qual pedimos já a vossa colaboração.

Não se trata de recolher apenas informação, mas de um instrumento para que cada empresa possa definir um caminho de melhoria e de reforço de competitividade.

 

 

 

 

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