Boletim Materiais de Construção nº 375

O “rei” vai nu!

Com a chamada “segunda vaga” da pandemia voltou a confusão.

Os dias do aparente sucesso português no combate à pandemia, concelebrado por Presidente e Governo da República, heróis da ação clarividente e determinada, sustentada na ciência certa dos especialistas e na exaltada capacidade do, proclamado, maior dos bastiões do Estado Social, o SNS, terminaram abruptamente no pântano da inação, da negação e da desculpabilização logo que o “bicho” voltou a atacar.

Durante o período estival, enquanto a pandemia deu tréguas, garantiram-nos que tudo estava preparado para o combate, os meios eram suficientes, havia planos e equipas para dar resposta. O tempo era de tratar da recuperação económica, aproveitando os milhares de milhões de euros dos subsídios atribuídos por Bruxelas, em valores nunca dantes vistos.

Para trás e sem comentários, ficaram as cinco mil mortes a mais que a COVID não justifica e os milhões de consultas adiadas e as milhares e milhares de cirurgias não realizadas, assim como um total silêncio sobre o gigantesco absentismo (600 mil faltas por mês!) que continua a crescer entre os profissionais do SNS.

Entretanto, entretivemo-nos com a encenação dramática da aprovação do OE e com o powerpoint dos grandes investimentos para uma década contidos no chamado Plano (bilionário) de Recuperação e Resiliência entregue a Bruxelas.

Aqui chegados, verificamos que os “planos” não passaram de boas intenções e que a operacionalização das medidas ficou no “papel”. A “gestão”, exceto a da comunicação, ninguém a viu.

O Governo sabe, nós sabemos, que não é possível voltar a confinar a economia. O crédito e as moratórias já estão esgotados e o tesouro não tem mais dinheiro para subsídios! Os milhões da União Europeia são uma miragem ou, na melhor das hipóteses, um “maná” ainda muito distante…

Resta, ao Governo e ao Presidente, apelarem ao civismo dos cidadãos e, sem grande pompa, mas com circunstância, declarar “Emergência Nacional” e proibirem umas coisitas que, na verdade, não têm qualquer influência e cada vez menos se percebem.

É claro que, apesar deste manifesto desastre na organização e funcionamento de quase tudo o que é público, bastará, ainda que de forma envergonhada por causa do preconceito ideológico da esquerda, recorrer ao setor privado da saúde, para evitar o tão temido colapso do SNS.

Mas, mesmo que nada seja feito, com maiores ou menores danos para a vida e para a saúde de muitos portugueses e, também, da nossa já fragilizada economia, temos a certeza que esta vaga vai passar.

Dentro de três ou quatro semanas, o surto, diz-nos a experiência da “primeira vaga” e a dos países que começaram primeiro que nós, deverá abrandar, resultado do efeito imunidade de grupo.

Voltará novamente em força daqui a seis meses se, entretanto, não houver vacina. Será que até lá o Governo vai fazer efetivamente alguma coisa para proteger os grupos de maior risco e os idosos, sobretudo os que estão nos lares? Ou vamos voltar a proibir deslocações e a fechar empresas?

Por esse andar ninguém vai aguentar. A prazo, nem a atividade da construção.

Boletim Materiais de Construção nº 375

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