Boletim Materiais de Construção nº 355

Nota de Abertura

Não há dinheiro!

Mudam os governos, mudam os partidos no poder, muda a política económica, mudam os ministros das finanças, só não muda a nossa condição de carência financeira absoluta e de subdesenvolvimento cultural e económico.
 

Por isso, vir o atual ministro, o “Ronaldo das Finanças”, dizer o que outro responsável por essa pasta no tempo da troika já havia dito, ainda que agora num contexto aparentemente livre de “austeridade”, não é propriamente uma novidade e muito menos chocante.

O facto de o dinheiro não chegar para todos os compromissos assumidos pelo c já não é novidade e quando alguém sugere o contrário ou, pior, atua como se o tivesse, temos que desconfiar ou “pagaremos com língua de palmo” a asfixia financeira que os credores seguramente nos irão impor num segundo momento.

É por isso, no mínimo, estranho que pessoas tidas como inteligentes e, salvo prova em contrário, honestas, considerem que há sempre possibilidades de aumentar despesas aqui ou acolá, só porque, admitamos, são necessárias ou úteis. Recusam prescindir de algo, como se isso fosse possível, ou optam por saciar as pretensões do presente, não cuidando das óbvias consequências negativas que daí advirão. São tão obcecados que chegam ao ponto de invocar supostas leis económicas que determinariam que mais despesa gera mais riqueza… É espantoso não estarmos já estupidamente ricos!

Não é preciso recorrer a algo além do elementar bom senso para encontrar solução para este problema sistémico. Os nossos antepassados fizeram-no para sobreviver e para sustentar o progresso da civilização: limitaram o consumo dos recursos e constituíram reservas, para enfrentar os meses ou anos mais difíceis e para aumentar a capacidade produtiva em cada ciclo seguinte.

Parece óbvio que mais tarde ou mais cedo também nós vamos ter que usar alguma parcimónia naquilo que são os gastos e as tarefas do Estado, de forma a libertar recursos para o setor produtivo, investir, criar mais riqueza e escapar a este ciclo-vicioso negativo e castrador. É a tal “reforma do Estado”!

O problema é que há 2,4 milhões de pensionistas, 700 mil funcionários públicos, dezenas de milhares de políticos e milhares de entidades, com muitos mais milhares de pessoas, que se habituaram a viver na dependência do Estado ou à conta dele e que, além do mais, o ocupam e controlam a todos os níveis.

Mas se não for pela via do esclarecimento e da coragem, vai ser pelo da necessidade ou da obrigação.

 

Boletim Materiais de Construção nº 355

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