Análise de Conjuntura do Setor da Construção – 3º trimestre 2023

Apreciação Global

Neste 3º trimestre, a atividade da construção manteve o ritmo de crescimento, mas os dados relativos ao licenciamento de obras confirmam uma tendência de abrandamento futuro, muito centrado no segmento dos edifícios que, aliás, se tem vindo a desenhar desde o início do ano.

Com efeito, o índice de produção no sector da construção e obras públicas no terceiro trimestre de 2023 aumentou 0,28% face ao trimestre anterior (aumento idêntico ao observado no 2º trimestre). Esta subida ficou a dever-se, sobretudo ao segmento da construção de edifícios que aumentou 0,66%, enquanto o segmento de obras de engenharia diminuiu 0,30%. Em termos homólogos, o índice de produção total aumentou 5,37% e foi mais influenciado pelo segmento das obras de engenharia que apresentou uma subida de 7,33%, enquanto o segmento da construção de edifícios registou um aumento de 4,15%.

Os dados relativos ao emprego na construção e obras públicas apontam igualmente para o aumento do nível de atividade, registando uma taxa de variação homóloga de 5,32% e de 0,37% em termos trimestrais, valores que comparam com 2,93% e 1,41% respetivamente, observados no trimestre anterior. A variação média nos últimos 12 meses terminados em setembro foi de 4,7% (3,9% em junho).

No mesmo sentido e pela segunda vez após quatro trimestres de quebras, verificou-se o crescimento homólogo das vendas de cimento no mercado interno, em 6,4% (3,6% no 2º trimestre) que, todavia não foi acompanhada pela melhoria do índice de confiança no sector da construção e obras públicas que registou um valor de -1,3, que compara com os 0,9 pontos apurados no período anterior.

Em termos prospetivos, como dissemos acima, o cenário apresenta-se menos auspicioso, com as novas licenças para obras a apresentarem, uma vez mais, uma evolução negativa. De facto, apesar de, quer em termos da intensidade, quer em termos de média dos últimos três anos, a redução continuar a não ser muito significativa, nem preocupante, assinala-se que a variação trimestral do número total de licenças foi negativa em 8,9% (após -9,5% no trimestre anterior) e a variação média anual no trimestre terminado em setembro de 2023 foi igualmente negativa (-9,7%). Em termos homólogos, também se registou uma diminuição de 8%.

Esta evolução menos favorável do licenciamento continua a ser muito influenciada, pelo segmento da reabilitação, que perde sucessivamente expressão desde há mais de quatro anos (com uma pequena interrupção em parte do ano de 2021). Na verdade, o número de licenças de obras de reabilitação registou uma diminuição de 11,5% face ao trimestre anterior, que foi de 8,3% em termos homólogos e que, em termos de média anual no trimestre terminado em setembro de 2023, foi de 7,7%.

Contudo, quando o indicador é a área de construção licenciada o cenário melhora substancialmente porque, embora esta tenha voltado a diminuir face ao trimestre anterior, apresenta um valor semelhante em termos homólogos e, em termos de média anual, a área licenciada nos últimos quatro trimestres ainda se mantém acima da registada nos quatro trimestres anteriores.

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